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Unidade de AVC do HGE garante tratamento exclusivo para a doença

Unidade de AVC do HGE é a única especializada na terapêutica em Alagoas
Texto de Neide Brandão

Em fevereiro deste ano, Francisco Emerson Rodrigues, 40 anos, um professor animado e cheio de disposição, teve um pico de pressão que resultou em uma paralisia facial. Atendido no Hospital Geral do Estado (HGE), ele conheceu todos os detalhes sobre o Acidente Vascular Cerebral (AVC), seus sintomas, causas e a dimensão do atendimento, que deve ocorrer no máximo até 4h30 após o início dos sintomas, segundo ressalta a neurologista da Unidade de AVC do HGE, Simone Silveira.

 

Em outubro, o atendimento no tempo oportuno, não só salvou apenas sua vida, mas o deixou sem as sequelas da doença. Tudo aconteceu em um domingo, almoçando com a família, em casa, quando ele percebeu algo semelhante ao que sentiu quando teve um pico de pressão. “Não era dor, mas uma sensação de pressão na cabeça, como algo fosse estourar. Em seguida, o lado esquerdo do corpo enfraqueceu e comecei a paralisar, não tinha força para nada”, contou Francisco Emerson Rodrigues.

 

Levado imediatamente pela esposa para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Benedito Bentes, onde reside, a suspeita de AVC foi confirmada.  “Eu sabia que lá eles podiam confirmar o diagnóstico e me encaminhar direto para o HGE, para que fosse atendido dentro da janela de 4h30”, salientou.

 

“Não esqueço as palavras da médica ao confirmar o AVC: Não pare em lugar algum, vá direto para o HGE para chegar dentro da janela. Foi o que eu fiz e, lá, fui encaminhado direto para a Unidade de AVC, onde, após a tomografia para ver a extensão do acidente, recebi o medicamento que me deixou novinho em folha”, comemorou.

 

Francisco Emerson se refere ao trombolítico, fármaco indicado para dissolver o trombo que obstrui a artéria, antes de este causar lesão cerebral irreversível, normalizando o fluxo sanguíneo. “Se a medicação for ministrada dentro das 4h30, as chances de evitar as sequelas aumentam em 30%. Através dela, o paciente com um AVC isquêmico pode ter o coágulo desfeito. Fechada a janela terapêutica, o trombolítico tem seus benefícios reduzidos e os riscos elevados”, explicou a neurologista Simone Silveira, responsável pela Unidade de AVC do HGE.

 

Ela salientou que, a Unidade de AVC do HGE é a única especializada na terapêutica do AVC isquêmico no Estado, e garante o tratamento exclusivo para a doença, com protocolos específicos e o que há de melhor para a assistência hospitalar na área. “Somos referência em Alagoas, com uma proposta de cuidado multiprofissional para o tratamento emergencial da doença. Além disso, realizamos toda uma investigação das causas do acidente e priorizamos a recuperação das sequelas”, explicou.

 

A neurologista ressaltou que as vítimas de AVC podem ser socorridas pelo Samu, Corpo de Bombeiros e pela família ou amigos e levadas diretamente ao HGE ou a UPA. “Todos os doentes com suspeita da doença devem ser levados ao HGE, mas só são admitidos na Unidade de AVC aqueles que possam afirmar que os sintomas iniciaram em até 4h30 antes da chegada ao hospital”, evidenciou.

 

A Área – A Unidade de AVC específica para o tratamento do Acidente Vascular no HGE possui dez leitos equipados com aparelhos modernos, deles permanece sempre livre para a trombólise, procedimento de aplicação do trombolítico. A identificação correta dos sintomas é o maior aliado das vítimas de AVCs. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem prevenir sequelas graves e permanentes, além de reduzir a mortalidade.

 

“A assistência às vítimas de AVCs em Alagoas era falha e muitos doentes não sabiam onde encontrá-la. Agora, cada vez mais, a doença está sendo conhecida e os alagoanos já sabem onde encontrar o tratamento pelo Sistema Único de Saúde”, comemorou a supervisora médica do HGE, Janaína Gouveia.

 

A doença ocupa, conforme o Ministério da Saúde, o segundo lugar no ranking entre as enfermidades que mais causam óbitos no Brasil, atrás apenas das doenças cardiovasculares. O isquêmico é mais frequente e representa 80% dos casos no Brasil. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, também é a primeira causa de incapacidade funcional no País e no mundo. Entre as sequelas estão: dificuldade de locomoção e falar; perda de funções neurológicas, paralisia de um dos lados do corpo, entre outras.

 

Prevenção é Importante – Ainda considerada a doença neurológica mais temida, o AVC tem na prevenção sua principal arma. A doença ocorre devido à alteração na circulação cerebral. No AVC Isquêmico há a obstrução de um vaso sanguíneo, levando à diminuição da circulação em determinada região do cérebro. Já no hemorrágico, acontece a ruptura de um vaso com sangramento dentro do cérebro. Os principais fatores de risco são a hipertensão, diabetes, colesterol elevado e o fumo.

 

Os sintomas mais comuns para identificar a doença são a perda de força muscular de um lado do corpo, fala enrolada, desvio da boca para um lado do rosto, sensação de formigamento no braço, dores de cabeça súbita ou intensa, tontura, náuseas e vômitos. Em casos mais assintomáticos como o de Francisco Emerson, a sensação de pressão na cabeça, como a que ele sentiu, pode ser um sinal da doença.

 

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